segunda-feira, 23 de julho de 2018

Quem tem medo de turismo no cemitério?

Alameda principal do Cemitério de Santo Amaro, o maior do Recife. (Foto: Juntando Mochilas).

A prática de enterrar os mortos acompanha a humanidade há séculos, mas a existência dos cemitérios, tal e qual os conhecemos, é bem relativamente recente. Os primeiros  cemitérios surgiram dentro das igrejas ou mesmo ao lado dessas, concedendo aos restos mortais um repouso condizente às convicções religiosas que a pessoa tinha enquanto viva.

O famoso Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires - Argentina. (Foto: Acervo pessoal).

Porém, os problemas de espaço começaram a surgir e o entorno das igrejas se tornaram lugares insalubres e propícios a diversas doenças, o que ficou bem mais evidente em países que passaram por problemas como pestes e guerras. Com isso, deu-se a necessidade de criar espaços exclusivos, mais apropriados e com qualificação sanitária para acomodação dos mortos.

Túmulo do Santo Papa João Paulo II, na Necrópole de São Pedro - Vaticano. (Foto: Juntando Mochilas).

Com o tempo, os cemitérios viraram testemunhas históricas das cidades e regiões a quem atendem. Muitas tumbas com esculturas exuberantes e de rica arquitetura tornam as necrópoles verdadeiras galerias a céu aberto.

Túmulo coletivo de milhares de desconhecidos no Campo de Concentração Nazista de Dachau - Alemanha. (Foto: Juntando Mochilas).

As escrituras nas lápides servem como uma grande livraria onde se podem ler registros, descrições e até poemas que representam, não só o morto, mas também a sua família, sua posição social, suas convicções, sua época e seu modo de viver.

Interior da Igreja de Ossos de Kutná Hora - Republica Checa. (Foto: Juntando Mochilas).

Além do mais, o valor social das celebridades que ali estão e que contribuíram de alguma forma para a sociedade é outro ponto que chama atenção. Artistas, políticos, religiosos, gente que geralmente dá nome a ruas pode ter um pouco da sua história descrita na porta de sua última morada.

Pequeno cemitério de Rottenbuch, uma das últimas cidades da Rota Romântica - Alemanha. (Foto: Juntando Mochilas).

Cemitério de Petersfriedhof, ao lado da Igreja de Sankt Peter, em Salzburg - Áustria. (Foto: Juntando Mochilas).





Mas... E por que não visitamos os cemitérios?
Porque ainda associamos muito o cemitério a um lugar macabro, tenebroso, medonho, onde só entramos quando morre alguém próximo. Infelizmente, o medo é o grande limitador do turismo em cemitérios.

Demos uma volta no ônibus que circula dentro do Cemitério Central de Viena - Áustria. (Foto: Juntando Mochilas).

Em nossas viagens, já perdi a conta de quantos cemitérios visitamos. Até mesmo os menores, pois alguns deles estavam próximos à nossa hospedagem e entrávamos simplesmente para ler as lápides e admirar a arquitetura dos túmulos, e a beleza das estátuas. Outros cemitérios fizemos questão de incluir no roteiros e tivemos surpresas maravilhosas, como foi o da Recoleta e o da Chacarita, em Buenos Aires, o Central de Viena, na Áustria, e o da igreja de St. Peter, em Bournemouth, apenas para ver o túmulo de Mary Shelley, escritora do clássico Frankeinstein.

Túmulo da escritora Mary Shelley, ao lado da igreja de Saint Peter, em Bournemouth - Iglaterra. (Foto: Juntando Mochilas).

Alguns são bastante curiosos, como o de Petersfriedhof, com alguns túmulos cravados na rocha, ou o cemitério de animais de estimação de soldados, localizado no castelo de Edimburgo. Em lugares assim, dá para passar horas caminhando entre os túmilos.
Agora, se coragem for o seu maior dom, há cidades que disponibilizam o Ghost Tour, que é uma versão do Free Walking Tour, só que de históricas assombradas, com direito a entrar no cemitério em plena meia-noite para ouvir contos horripilantes.

Vista do Cemitério de cães de soldados, em Edimburgo - Escócia. (Foto: Juntando Mochilas).

Cemitério de Canongate, em Edimburgo - Escócia, onde está enterrado o economista Adam Smith. (Foto: Juntando Mochilas). 

Alguns cemitérios no mundo inteiro estão passando por um processo de reformulação, reformas e restauros para se tornarem museus, dada a sua importância histórica. Então, se você ainda tem medo de entrar em um cemitério, largue logo e não deixe de conhecê-los em suas próximas viagens. Os mortos têm mais história para nos contar do que você imagina.

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1 comentários:


Um casal de viajantes que resolveu juntar as mochilas e compartilhar suas aventuras de estrada.
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