segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Reflexões sobre viagens e redes sociais


Roma, 2010
A internet mudou o modo como se viaja. Se guias, troca de cartas, conversas com outros viajantes e mesmo visita ao consulado de um país eram meios de conseguir informações, hoje em dia tudo está a distância de uma “googlada”. Nos anos 2000 surgiram os primeiros fóruns de viagens e blogs sobre o tema, além das trocas de e-mails terem se tornaram uma constante e tudo isso veio como um prato cheio para quem estava descobrindo as vantagens de se ter a rede mundial de computadores como solo fértil de pesquisa e troca de experiências.


Salzburg, 2013

Nos últimos 10 anos, a troca de informações se tornou cada vez mais imediata, a ponto de que, com o surgimento dos smarthphones, ela se torna instantânea. Inicialmente com os Fotologs e o Orkut e depois o facebook, instagram, Snapchat, whatssapp, bem como uma infinidade de canais que você pode alimentar a todo o momento.
Agora você não precisa mais sentar na frente de um computador para enviar um punhado de e-mails ou postar algumas fotos nos poucos minutos que pagou em uma lan house. Tudo isso pode ser feito enquanto está no trem, caminhando no parque ou mesmo durante um voo de parapente. Legal, né? Mas até que ponto?

Praia de Pipa, 2011
Eu sou um viciado confesso em redes sociais. Nívia já tem um melhor controle a respeito. Mas ambos tem consciência de que uma viagem está para ser curtida e não para ser registrada (ou "vitrinizada") nos mínimos detalhes. Sim, me esforço para vencer o vício, mas saber que sou um viciado e que isso não é legal já é um bom começo. Porém, o fato de ser blogueiro de viagem acaba prejudicando minha terapia, principalmente em viagens patrocinadas. Preciso alimentar as redes sociais, fazer vídeos, check-ins e por vezes mandar relatórios. Mesmo dependente assumido, me incomoda o volume de vezes que preciso estar online.
Então quem não for blogueiro pode abandonar de vez as redes sociais? Ai já acho bastante radical. Muitos amigos curtem as atualizações das viagens enquanto estou na estrada. Inclusive eu mesmo curto rever o histórico de tudo o que fiz, como numa espécie de diário. Uma lembrança do facebook de dois anos atrás se torna um gatilho cerebral para voltar aquele momento em que a foto foi tirada, ou que aquele comentário que escreveu foi feito, e você acaba viajando novamente.

Veneza, 2010

Outro fator importante das redes sociais, por mais contraditório e irônico que possa parecer, é a questão da segurança. Lembra quando você faz check-in em um voo e eles pedem o telefone “de uma pessoa próxima”? Aquilo serve (e ninguém vai querer que isso precise acontecer) para fazer contato caso a aeronave caia. E eu tenho uma visão semelhante para com as redes sociais. Caso alguma coisa aconteça com você, as pessoas vão saber por onde começar a te procurar com base na sua última publicação. Ou apenas servirão de um “alô, mãe, tô vivo” cada vez que sua família ver uma nova publicação sua. Meio paranoica essa ideia, não acham? Também acho, até que um dia essa minha ideia foi necessária na prática. Estava em viagem com um amigo e pegamos um ônibus para o local onde iríamos nos hospedar. Assim que descemos no terminal, ele mandou uma mensagem via whatssapp para uma pessoa que nos receberia. Horas depois descobrimos que ele havia esquecido a bolsa no ônibus e ficamos sem saber o que fazer. A pista que nos ajudou a identificar qual ônibus havíamos pegado e conseguir resgatar a bolsa foi a hora que ele enviou a mensagem.


Como tudo na vida, um meio tempo é sempre o melhor. Selfies intermináveis e textos mil durante uma viagem pode lhe roubar momentos preciosos que somente os olhos podem captar. Mas deixar de ser um ser social também não pode ser o melhor caminho, a não ser que você esteja numa cruzada espiritual ou coisa do gênero. O ponto de equilíbrio cabe a cada um descobrir o seu.

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José Jayme
engenheiro civil, travel-writer, nerd de carteirinha, amante da boa comida e esportes em geral. Colaborador do guia e portal O Viajante.
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