sábado, 9 de novembro de 2013

Carnaval de Recife e Olinda 03: Chegou a festa!

Vamos chegando que a festa de fato já vai começar!
Nos artigos anteriores, você conheceu tanto a filosofia do Carnaval pernambucano quanto as festas que acontecem antes e depois da oficial. Agora, mostraremos o roteiro da folia em si, com suas principais atrações.
Enquanto o Carnaval de Olinda parece não ter delimitação espacial, o de Recife possui dois pontos bem definidos de folia: a Praça do Marco Zero e o Polo RecBeat. O primeiro seria parecido com o palco Mundo do Rock in Rio onde todas as noites, grandes artistas consagrados se encontram para fazer shows apoteóticos. Não raramente, o palco do Marco Zero recebe artistas internacionais durante a folia de Momo.
Seguindo a lógica do Rock in Rio, o RecBeat  (a partir das 19h30 no Cais da Alfândega, ao lado do Shopping Paço Alfândega) seria o Palco Sunset. É como um anticarnaval: bandas de rock alternativo e mestres da música eletrônica se apresentam durantes os cinco dias de festa para um público que, em geral, não gosta de Carnaval mas também quer se divertir.
Além desses dois polos, também tem festa na Praça do Arsenal, no Pátio do Terço, no Pátio de São Pedro, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, na Avenida do Forte e em bairros mais afastados, como a Várzea e o Ibura. Em cada um desses polos, além de shows, há desfile de agremiações, escolas de samba, fantasias, caboclinhos etc.
OBSERVAÇÃO: As atrações que marcamos a seguir são apenas sugestões entre as centenas (Sim! Você não leu errado) de agremiações e shows do Carnaval. Não deixe de pegar a programação oficial da festa nos Centros de Informação Turística em Recife e em Olinda, ou no aeroporto/rodoviária, assim que você chegar a Pernambuco.

Sexta

A grande abertura acontece à noite no Marco Zero, com a tradicional apresentação de Naná Vasconcelos e várias Nações (entenda como grupos, mas é algo mais complexo que isso) de Maracatus, seguido de shows com diversos artistas. Se estiver em Olinda, a abertura do Carnaval acontece um dia antes no Fortim do Queijo (Rua do Sol, S/N, Carmo) também com vários shows de artistas locais. A essa altura, já deve ter ficado bem claro que a festa em Olinda não funciona bem com palcos, não é? Lá, a banda toca é no chão! Para isso, o Bloco D’Breck faz um “arrastão” com muito samba, à partir do Largo do Bonfim, saindo à meia-noite da sexta-feira.

Sábado de Zé Pereira

O galo gigante montado na Ponte Duarte Coelho

Vem moçada! O Carnaval começa oficialmente com o canto de um galo: o Galo da Madrugada. O bloco entrou para o Guiness como o maior do mundo, mas atualmente perdeu o título para o bloco carioca Cordão da Bola Preta. Só não ouse contrariar os pernambucanos, pois o Galo da Madrugada é a majestade do Carnaval. Se você se programou com antecedência, pode participar de um dos vários camarotes pagos, regados a bebida, comida farta e regalias como massagem e customização de fantasia.
Se não é o seu caso e a opção é a rua, chegue cedo e procure um lugar na Avenida Dantas Barreto, trajeto do cortejo. Não conseguiu? Calma. Há salvação. Você pode ver o bloco saindo da concentração, na Praça Sérgio Loreto, próximo à sede do clube, ou ver a dispersão aos pés do galo gigante montado na ponte Duarte Coelho.
Em Olinda, o sábado costuma ser o dia mais folgado, pois muita gente foge da multidão do Galo. Dentre os diversos blocos que saem nesse dia, recomendamos as Conxitas (saída as 09h, na Praça do Carmo) e o Eu Acho é Pouco (sai às 15h, do Largo do Mosteiro de São Bento, Varadouro).
As Conxitas: Grupo percussivo composto apenas por mulheres

Se tiver pique, não deixe de presenciar o momento maior do Carnaval olindense: o desfile do Homem da Meia-Noite. A saída do bloco é, de fato, emocionante e não será difícil ver pessoas venerando o gigante de cartola, alguns na expectativa de saber qual roupa ele usará e muitos chorando quando ele aparece pela primeira vez. Sob uma salva de fogos de artifício, o gigante põe a cara pra fora, olha pros dois lados e sai pelas ruas a passear, como canta seu hino.
Mas acompanhar o bloco merece alguns cuidados. Para não dizer vários. Não é raro marginais se aproveitarem do horário para cometer furtos ou marcar brigas entre si. Não é recomendado ir com crianças se você não for ficar em uma varanda, em segurança. O ideal é ir em grupo ou, melhor ainda, sozinho, mas fique atento, não ostente objetos de valor e não dê bobeira em ruas escuras. É um evento apenas para os mais valentes
O Homem da Meia-Noite
O “calunga”, assim denominado por ser considerado uma entidade mística e não um boneco, só sai na meia-noite do sábado para o domingo de Carnaval. No restante do ano, fica trancado na sede do bloco. Sim, ninguém o vê DE VERDADE fora esse dia e, mesmo que “um” Homem da Meia-Noite apareça em outro evento, fique certo de que não é ele. É seu sósia oficial. A última vez em que se abriu mão de seu confinamento, em um período não carnavalesco, foi para prestar a última homenagem na ocasião do falecimento de seu alfaiate, em 2012.
Todos querem se vestir como o calunga, mas esse cara capricha na caracterização!

Domingo


Estandarte do bloco Sala da Justiça

Se o sábado é o dia mais tranquilo de Olinda, domingo é o extremo oposto. É final de semana, alguns dos melhores blocos saem nesse dia e os primeiros foliões ainda não desistiram da maratona da festa. Em outras palavras, esteja preparado.
Levante cedo e corra para o Alto da Sé para ver a reunião de heróis e personagens de filmes no bloco Sala da Justiça. Não perca o voo do Superman, o rapel do Homem Aranha no edifício da caixa d’água e as hilárias lutas de “Telecatch” do pessoal do Mucha Lucha. O desfile começa às 10h da manhã.
Seria Nando Reis o Super Homem?

Mucha Lucha
Marcados para as 09h da manhã, mas desfilando sempre com 1h de atraso, saem dois blocos famosos tanto pela rivalidade quanto por serem baterias de escolas de samba. O Patusco (sai às 09h59 da Rua do Amparo) é o mais tradicional. Foi fundado em 1962 e toca um repertório de clássicos do samba carioca. Já o D´Breck (saída às 09h00 do Largo do Bonfim) é famoso pelas suas versões em samba dos hits do verão.
Madrinha e Rainha da bateria do Patusco, dançando em meio ao bloco
No domingo também saem o Bloco da Saudade (às 17h da Praça 12 de Março, no Amaro Branco), bastante tradicional por resgatar a cultura dos antigos carnavais, e O Elefante de Olinda (às 17h30, com saída na Rua do Guadalupe, Amparo) com muito frevo e a devoção de seus seguidores.
O fim da tarde no Recife é do Quanta Ladeira, bloco que reúne músicos, jornalistas e formadores de opinião pernambucanos no polo RecBeat. Recebendo convidados ilustres, o grupo faz paródias de musicas conhecidas e satiriza temas atuais. Dos lutadores de UFC à roubalheira de Renan Calheiros, tudo serve de tema para Lenine, Lula Queiroga e seus fiéis escudeiros.
Artistas no palco, durante a apresentação do Quanta Ladeira

Devido ao tom político das canções, anos após ano o bloco é ameaçado de ser cancelado. Enquanto as ameaças não se concretizam, vale a pena assistir essa apresentação icônica e ouvir loucuras como a versão para o Balão Mágico “Superfantástico o padre que fez uma viagem amarrado em balão”.

Segunda-feira

Diversas Nações de Maracatu desfilam pelas ladeiras
Nesse dia, muita gente desiste da maratona, vai trabalhar ou curte a ressaca nas praias, como Porto de Galinhas. Quem chegou vivo até aqui, pode se considerar concluinte do módulo básico de Carnaval e iniciar o módulo avançado. Com as ladeiras de Olinda mais tranquilas, às 09h da manhã, na Rua Quinze de Novembro sai o “Eu acho é pouquinho”, versão infantil do “Eu acho é pouco”. A tradicionalíssima Pitombeira dos Quatro Cantos desfila às 15h. O hino da agremiação já avisa: Se a turma não saísse, não havia Carnaval.
No Recife, a noite é dos blocos líricos, como o Bloco das Flores, Batutas de São José, Bloco da Saudade e O Bonde. É uma noite perfeita para as famílias, para os idosos e para as pessoas com mobilidade reduzida. As atrações nos palcos costumam ser mais culturais.

Terça-feira gorda

Bloco A Corda levanta cedo para tirar o sono dos foliões
Se você alugou casa em Olinda e tirou a terça feira para dormir até mais tarde com o objetivo de tentar recuperar as energias, sentimos informar que o Bloco “A Corda” pode acabar com seus planos. A brincadeira consiste em sair às seis da matina da ladeira da Misericórdia, com um grupo munido de tambores e apitos e carregando uma corda enorme e entrar na casa dos mais dorminhocos gritando “A corda!”. Com os seguidores vestidos com pijamas, o Bloco vem tirando o sono (literalmente) dos foliões desde 1990.
"Vítima" do bloco A Corda sendo entrevistado por Bianka Carvalho (aquela repórter do sanduíche-íche).
Nesse dia, os bonecos Gigantes fazem sua apoteose (saindo às 09h do Alto da Sé) com o desfile de mais de 50 deles pelas ladeiras de Olinda. Patusco, D´Breck e Eu Acho é Pouco desfilam pela segunda vez, para dar nova oportunidade a quem perdeu a farra no domingo.
Um bloco bastante emblemático que sai nesse dia é a Ceroula de Olinda (saída às 15h00, do Largo de Guadalupe). Com mais de 50 anos de fundação, a Ceroula é um bloco composto só por homens e que, a cada 5 anos, abre a exceção e aceita mulheres no desfile. Quem estiver curtindo o Carnaval solteira, tem uma ótima oportunidade de desencalhar!
No Marco Zero acontece a grande festa de encerramento do Carnaval recifense, com os melhores shows do Carnaval, e que culmina com o desfile dos bonecos gigantes, já quase de manhã.

Quarta-feira de Cinzas

O Bacalhau do Batata arrasta  multidão que não quer fim do Carnaval
Não fique triste se você não conseguiu chegar até aqui. Poucos têm fôlego para tal. Para recuperar as energias, suba ao Alto da Sé as 06h e tome um munguzá (em alguns lugares do Brasil também é chamado de canjica) no bloco O Munguzá do Zuza Miranda.
Quem não quer dar o braço a torcer, ainda acompanha o Bacalhau do Batata (Ladeira da Sé, 09h30), talvez o mais tradicional bloco desse dia. Surgiu da ideia de um garçom que trabalhava durante todo o Carnaval e folgava apenas na quarta-feira. No fim da festa, ele recolhia nas ruas pulando frevo e pedindo verduras aos moradores de Olinda, para fazer uma bacalhoada e curtir o seu Carnaval.
Para sair “na vassoura”, literalmente, a última atração é o cortejo dos garis. Varrendo a cidade ao som de orquestra de frevo, eles deixam tudo pronto para a vida real, que começa na quinta-feira. Aí não tem mais jeito: Acabou o Carnaval.
O velho guerreiro mandou avisar que no ano que vem tem mais!
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1 comentários:

  1. Adorei as postagens sobre o Carnaval de Recife/Olinda!
    Estava procurando algo parecido há dias e só hoje tive a sorte de encontrar este blog.
    Vou conhecer o carnaval de Pernambuco em 2014 e estou super ansiosa, procurando me informar para aproveitar!

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