sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Carnaval de Recife e Olinda 02: Chegando antes ou depois da festa


Criança brinca com os instrumentos pouco antes do ensaio do bloco Patusco
Como já foi dito no artigo anterior, o Carnaval do Recife e de Olinda é uma festa do povo e para o povo. Não é exagero dizer que as pessoas é que fazem a festa. O governo apenas dá o suporte necessário para que ela, naturalmente, aconteça. Claro que, como todo grande acontecimento, ele não escapa da especulação empresarial. Existem camarotes pagos e as festas fechadas, mas nada que descaracterize o evento. Muito pelo contrário: vem a acrescentar e a dar mais opções para as pessoas se divertirem.
Essa natureza popular da festa se reflete nos blocos. Muitos deles surgiram a partir de grupos de amigos, de brincadeiras e até mesmo de pessoas que trabalham em uma mesma empresa. Os ensaios, que sempre ocorriam com meses de antecedência para não prejudicar os horários de trabalho e estudo dos integrantes, deram origem às prévias de Carnaval e mesmo a blocos que saem exclusivamente no período pré-momesco.
Curiosos também são os blocos que saem só depois do carnaval, compostos em sua maioria por pessoas que trabalharam durante a folia de momo. Com isso, o calendário do Carnaval de Recife e Olinda sempre ultrapassa os cinco dias tradicionais, fazendo com que os viajantes, mesmo visitando o Estado em outra época, consigam curtir os reflexos da festa.

Pré-carnaval

Isso é uma das ladeiras de Olinda, acreditem, em uma das prévias de Carnaval

A partir de setembro, os primeiros blocos começam seus ensaios. A maioria são blocos de maracatu, que se espalham pelas ruas do Recife Antigo e as ladeiras do sítio histórico de Olinda aos domingos. Muitos deles aceitam pessoas de fora e é comum ver estrangeiros fazendo parte e tentando acompanhar a percussão. Se quiser participar, basta procurar um bloco, comprar um instrumento e participar dos ensaios, mas tem que estar afinado até o final do ano para poder participar do desfile.
Em janeiro, os pernambucanos já se consideram no carnaval e as ladeiras de Olinda se enchem de moradores e turistas para curtir as prévias. Até mesmo blocos consagrados fazem desfiles nesse período. Se estiver pela cidade, separe seus domingos para curtir a folia. Vale lembrar que o cuidado com a segurança é o mesmo citado no artigo anterior.
Faltando três semanas para o carnaval, os blocos realizam suas prévias. Alguns desfilam em bairros com menor tradição carnavalesca. Por serem frequentados em sua maioria por pessoas dos bairros e moradores, esses blocos não têm grande apelo turístico e se tornam um achado para os viajantes. É também nesse período que acontecem os bailes de carnaval. Segue uma lista com os principais eventos:
Bloco Guaiamum Treloso: Realizado no penúltimo sábado antes do Carnaval no bairro do Poço da Panela. O evento é fechado, com apresentações que variam ano após ano desde Gilberto Gil até Otto mas também há um desfile no mesmo final de semana.
Bloco Acorda pra Tomar Gagau: Nascido de uma reunião de amigos descontentes com a pouca demanda de blocos de rua no carnaval do Recife. Acontece no último sábado antes do carnaval e atrai uma grande multidão jovem no bairro da Jaqueira;
Bloco De Bar em Bar: Fazendo jus ao nome, o bloco saía do Bar Fiteiro, na Jaqueira, e seguia desfilando para o Bar O Oitão no Rosarinho, sob o batuque do D’Breck. O roteiro tem mudado e após um hiato de uma lei municipal que vetava os desfiles de grandes blocos pré-carnavalescos (e que, graças ao bom senso, está sendo derrubada), o desfile desse ano terminou no Clube Português com um grande baile;
Enquanto Isso na Sala da Justiça: Baile fechado promovido pelo bloco olindense Sala da Justiça. A entrada custa normalmente R$ 80,00. As pessoas vão fantasiadas, em sua maioria, de super-heróis, personagens de filmes e ícones do mundo nerd e são um show a parte. Apresentações com atrações alternativas, a maioria locais.
Turma do Chaves reunida na Sala da Justiça

Baile Municipal do Recife: O mais tradicional baile da Região Metropolitana com ingressos muito disputados. Frequentado pela nata da sociedade pernambucana, tem concurso de máscaras e fantasias, bem aos moldes dos antigos carnavais, além de grandes shows;
Olinda Beer: Autointitulada a maior prévia de carnaval do mundo, reúne diversos artistas baianos e grupos de pagode. Acontece no estacionamento do Centro de Convenções de Pernambuco e a entrada custa em média R$ 30,00. Se gostar de aperto, calor, multidão e cerveja quente, esse é o lugar;
As Virgens Abraça Brasil e As Virgens do Bairro Novo: Antes, só existiam as Virgens de Olinda, mas conflitos internos geraram uma divisão do que é hoje o maior aglomerado de homem vestido de mulher que se tem notícia. Um dos blocos mais tradicionais do pré-carnaval, as Virgens são conhecidos pela irreverência dos participantes. O primeiro sai no penúltimo domingo de carnaval e o segundo, sai no domingo seguinte.
Vale a pena conferir também os tradicionais Pitombeira dos Quatro Cantos e a Ceroula de Olinda; na zona sul, o Bulindo no Caldinho e o Bloco da Jia; na zona norte o Segura o Talo, o Paraquedista Real, e o Nem Sempre Lili Toca Flauta; sem falar do grande Baile do Siri na Lata.

Pós-Carnaval

Não tão bom quanto as prévias, mas se você só conseguir chegar a Pernambuco depois da festa de momo, ainda tem a chance de curtir alguns blocos da ressaca carnavalesca:
Selinho não é Gaia: Festa fechada que reúne a galera mais jovem e descolada. Ocorre na primeira sexta-feira depois do carnaval no circulo militar, no bairro do espinheiro. Preço médio: R$ 30,00.
Não Acredito que te Beijei: Outra festa fechada. Acontece no primeiro sábado pós-carnaval no Clube internacional do Recife. Com preço médio de R$ 30,00, apresenta varias atrações locais entre grupos que tocam em blocos tradicionais e cantores pernambucanos conhecidos.
Camburão da Alegria: Sai na Avenida Boa Viagem, no sábado após o carnaval e tem esse nome porque é composto, em sua maioria, por policiais que trabalharam durante o carnaval e suas famílias. Bem no estilo dos blocos baianos, possui trios elétricos e é provavelmente o bloco mais seguro da cidade. Por motivos óbvios.

Opção pra curtir o antes e o depois no carnaval pernambucano é o que não falta, como já deu pra perceber. No próximo post, vamos falar do Carnaval em si. Não perca!
Jayme e sua sobrinha no bloco Mulé Arreta o Cara, do bairro de Casa Forte
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Um casal de viajantes que resolveu juntar as mochilas e compartilhar suas aventuras de estrada.
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