domingo, 13 de setembro de 2015

Porto de Galinhas para mãos de vaca

Mesmo com a grana curta dá pra curtir bem Porto de Galinhas, um dos destinos de praia mais caros do Brasil.


Tendo sido eleita por dez anos consecutivos como a melhor praia do Brasil pela revista 4Rodas, Porto de Galinhas, em Ipojuca - PE, tornou-se hors concours, ou seja, atingiu uma categoria de excelência tamanha, que não participa mais do concurso. A estrutura turística compreende hotéis de alto luxo, restaurantes autorais, passeios incríveis.
Um viajante desavisado pode achar que nunca conseguiria bancar uma mochilada pela vila mais famosa do litoral brasileiro, mas nós do Juntando Mochilas vamos ensinar o caminho das pedras. Assim como fizemos com Ibiza, vamos provar pra você que Porto de Galinhas é possível, SIM.


Leia também: Ibiza é possível

Tudo azul!

Como chegar


Empresas de receptivo vendem o transfer por valores que flutuam entre 70 e 100 reais por pessoa. Um táxi comum pode cobrar até R$250,00 pela corrida. Mas tem ônibus pra Porto e é mais fácil do que você imagina!
Se você chegar a Pernambuco de avião, em frente ao desembarque Sul (voos domésticos), na saída A4 do aeroporto, você vai ver o ponto das linhas de ônibus 191 e 195 (opcional). A primeira, no estilo pinga-pinga, custa R$8,40 e faz um percurso mais demorado. A segunda custa R$12,00, tem ar condicionado e é mais rápida.
Se chegar a Pernambuco de ônibus, ainda no Terminal Rodoviário pegue o metrô no sentido Recife, faça a baldeação para a linha Sul. Desça na estação Aeroporto e atravesse a avenida pela passarela. Você estará no primeiro andar do aeroporto, exatamente em cima do ponto do ônibus de que falamos acima. É só descer para o térreo e esperar, que ele chega.


Não dá pra se perder! Saindo do terminal de desembarque pela porta A4, você vai ver o ponto do ônibus.

Dependendo do horário, você pode pegar engarrafamento na entrada do Porto de Suape, mas, em geral, a viagem dura umas duas horas.


Onde ficar


A rede hoteleira de Porto de Galinhas possui dezenas de milhares de leitos. Os mais caros, dos resorts, chegam a custar mais de 5 mil reais por uma única noite e têm piscina de borda infinita, espaço kids, restaurantes internacionais e toda aquela velha estrutura que um bom mochileiro dispensa. Nós, mochileiros, queremos um lugar pra tomar banho, dormir um pouco e tomar café da manhã, não é mesmo? Por isso escolhemos os albergues. Testamos pra vocês e aprovamos dois em Porto de Galinhas.
O mais tradicional é o Casa Branca Hostel. Situado na Praça 18, o equipamento é credenciado à rede HI, oferece um ótimo café da manhã, completo e reforçado, e tem um terraço com redário que convida à preguiça. Os quartos não são tão bonitos, mas são confortáveis e muito limpos. A diária inclui toalha. Me senti em casa, lá.
Já na Praça 11, há o Che Lagarto Hostel, da rede argentina CLH, presente em muitas cidades na América Latina. Com uma pegada mais moderna, o Che tem uma área interna com bar e piscina que favorecem a interação entre os hóspedes. O clima é mais animado, mas a limpeza e o café da manhã deixaram a desejar. Leve a sua toalha!


Piscina e bar do Che Lagarto Hostel de manhãzinha.

Ambos custam cerca de 45 reais por hóspede por noite, dependendo da estação. Você escolhe. Se quiser descansar, vá pro Casa Branca. Se estiver afim de farra, prefira o Che Lagarto.


Onde comer


Comer bem e barato em Porto de Galinhas é um desafio para os fortes. Em alguns restaurantes estrelados, como o Beijupirá, o custo de um prato individual chega muito facilmente perto dos 3 dígitos. A experiência, sem dúvida, vale a pena, pois a comida é espetacular. Mas não é pra todo mundo.
Na pracinha principal da vila há uma Lanchonete da rede Subway que pratica os mesmos preços mais ou menos tabelados que nós já conhecemos. É um jeito baratinho de encher a pança, mas não é regional, né? Sou daquelas que acredita que pra conhecer bem um lugar a gente tem de experimentá-lo como um todo.
Para economizar e cair de boca na culinária local, ao lado do Subway você tem o BarCaxeira. Chegue cedo pra garantir uma mesa, porque a casa lota. O cardápio é vasto, mas, se aceitar a sugestão, peça uma macaxeira gratinada com carne de sol e catupiry. O prato é pernambucano e, por aqui, leva o nome de Escondidinho. O escondidinho do BarCaxeira é imoral!
Escondidinho imoral de macaxeira com carne de sol e Catupiry do BarCaxeira

Para sobremesa, procure a DeGusta Paleteria Mexicana da galeria Munganga e peça a paleta de Bolo de Rolo da Casa dos Frios. Para você entender, o bolo de rolo é um doce típico pernambucano considerado patrimônio cultural imaterial da humanidade. Pois a DeGusta pegou esse danado e fez o melhor picolé de todos os tempos. Não digo mais nada.

Leia também12 curiosidades que você provavelmente não sabia sobre o Recife e aprenda mais sobre o bolo de rolo e outras curiosidades pernambucanas

Apenas experimente a paleta de Bolo de Rolo da DeGusta! Melhor sobremesa!!!

Atrações e vida noturna

As piscinas naturais são a principal atração de Porto. Os recifes de coral formam verdadeiros aquários, com ouriços, peixinhos coloridos e até cavalos marinhos. Dá pra ir de jangada, por R$ 20,00 por pessoa, ou a pé, dependendo da maré baixa. O ideal é que você atravesse em dias de maré muito baixa (até 0,5m). Saia entre uma hora e quarenta minutos antes do pico baixo da maré e volte assim que ela começar a subir. É só seguir o fluxo das pessoas que atravessam a pé, entre as duas pedras altas que ficam em frente à Praça das Piscinas Naturais. Leve chinelo, pois os corais podem machucar os pés, e um conjunto de máscara e snorkel, pra ver melhor os peixes.

Piscinas naturais com as jangadas ao fundo. Dá perfeitamente pra ir a pé.
Fazendo parte de Porto, a praia de Maracaípe tem uma vibe mais surfista. A galera que frequenta é natureba e foge da badalação da vila. Dá pra ir caminhando 3km pela beira-mar, ou pegar um ônibus por R$2,45 em frente à rede de locação de veículos Localiza, se instalar no Bar do Marcão ou no Bar da Mônica e curtir o swell (brisa do mar, em "surfistês).
Bar do Marcão, na praia de Maracaípe.
Um pouco mais distantes pra ir a pé, mas ainda a uma distância possível, estão as quase desertas praias do Cupe e de Muro Alto. Pegue o ônibus por R$2,45 em frente ao Posto Ipiranga e desça no posto policial. Mar tranquilo, cenário paradisíaco, poucas famílias brincando, casais em lua de mel. Atenção ao bar que existe no Cupe. Eles cobram absurdos 50 reais pelo estacionamento se você não consumir nada, mas se você decide consumir, o absurdo fica ainda maior: Além de caro, o bar tem atendimento fraco, a comida não tem gosto de nada e vem numa péssima apresentação.
Eu pedi uma porção com 6 bolinhos de bacalhau, tal e qual no cardápio. Trouxeram uma com 10 bolinhos, que não constava no cardápio. Chamei o garçom pra comunicar e ele me disse que o cozinheiro, de bom humor, aumentou o prato, mas que era cortesia da casa. Na conta, o valor cobrado era o da porção maior. Reclamei, pois era 'cortesia', e disseram que eu teria de pagar o valor total, já que consumi a porção completa. Não tenho culpa se me trouxeram algo diferente do cardápio! Pago só pelo que pedi! Não recomendo o bar. Leve o seu isopor!
Muro Alto: a praia é linda, o bar é que nao vale nada!
A noite em Porto começa na Rua da Esperança. Normalmente as famílias vão passear e jantar. Um pouco mais tarde o público muda. Jovens invadem a pracinha, fazem o esquenta e partem para as casas noturnas mais conhecidas.
Ainda bem cedo o Caldinho do Cláudio começa a lotar. Em funcionamento desde 1978, o bar é especializado na dupla conhecida como Ele&Ela, ou seja, caldinho com cachaça. Sugiro o caldinho de feijão, que é o carro chefe da casa, com uma dose de Carvalheira ou Pitú, duas cachaças locais.
A dupla Ele&Ela é a pedida no Caldinho do Cláudio. Aqui, o caldinho de feijão que deixou Seu Cláudio famoso e uma Santa Dose geladinha. Huuummmmmm!

Na pracinha os drinks da Giroskka abastecem as farras há mais de 20 anos. A especialidade da casa são as caipifrutas, principalmente a de pitanga com vodca e leite condensado. Os preços vão de R$ 7,00 (caipirinha) a R$ 17,90 (blue marguerita).
Altas horas e o clima já esquentou? Escolha onde vai acabar a sua noite. Nos fundos da locadora de carros Localiza está o Brisa Pub, um clube com programação variada, onde rola pagode, axé, sertanejo, reggae. A programação é anunciada na internet e o público está entre os 18 e os 30 anos. Ponto negativo para os preços praticados tanto na entrada quanto no cardápio.
Pra quem quer dançar forró, a pedida é o Lua Calliente, ao lado do Posto Ipiranga. O ambiente facilita a paquera que, para começar, só depende de um "Vamos dançar?". O público é mais variado e a entrada, quase sempre, é free para as mulheres. A bebida é barata. Ponto positivo!
Noite apenas começando no Lua Calliente
Se você prefere um rock, corra para o Biroska da Cachaça. A entrada custa 15 reais e a casa conta com bons DJs e, na alta estação, apresentação de bandas cover. A decoração é um espetáculo à parte. Se a conversa não fluir, dá pra você simplesmente olhar para as paredes.
Viu? É só seguir as nossas dicas e curtir Porto de Galinhas, mesmo se você estiver 'liso', que é como a gente chama quem tá sem dinheiro, aqui em Pernambuco.

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Nívia Gouveia
é jornalista, travel-writer e professora de língua portuguesa. Mochileira convicta, leitora incurável, sonhadora juramentada, ela pertence a uma linda labrador chocolate chamada Shakira.
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2 comentários:

  1. Recomendo a pousada Brisa do Porto também. Batatinha e limpinha, café da manhã delicia, perto da praia e da vila, mas não tem agito por lá.

    Pra chegar pela rodoviária é melhor ir até o cais de Santa Rita, de onde sai o ônibus para Porto (e vários outros). É só pegar o metrô pra estação Recife e de lá pegar o ônibus pro cais (só paga uma passagem). Além de saber os horários de saída dos ônibus, em alta estação é mais fácil conseguir ir sentado no ônibus.

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  2. Esse ônibus que sai do aeroporto para o Porto sai até que horas? Sabe onde consulto?
    Essa paleta de bolo de rolo é imperdível hein.
    Já babei aqui. Adorei a dica.

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Um casal de viajantes que resolveu juntar as mochilas e compartilhar suas aventuras de estrada.
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