domingo, 22 de setembro de 2013

Carnaval de Recife e Olinda 01: Guia Geral

Bloco de carnaval "As Conxitas".

Somos suspeitos para falar bem do carnaval de Pernambuco. Nascemos aqui, curtimos a festa todos os anos (apesar de sempre prometermos que será a última vez), e até já tocamos percussão em alguns blocos. Porém, é inegável que cada vez mais turistas vêm à terra do frevo nesse período, e voltam para casa com a bagagens cheia de elogios. Quem já conhece o carnaval do Rio de Janeiro e de Salvador, sabe que o de Pernambuco segue uma terceira via que, em muito, difere dos dois primeiros, e que atrai multidões interessadas em conhecer essa peculiaridade.

A história recente

Um grupo de amigos, alguns instrumentos e você tem um bloco de carnaval.

O carnaval de Recife e Olinda é um carnaval de rua. As pessoas saem de suas casas para acompanhar blocos e troças cantando músicas tradicionais ou compostas pelo grupo. Dessa matriz, surgiram particularidades que se tornaram símbolos maiores do carnaval pernambucano como os bonecos gigantes de Olinda e o frevo.
Até o final da década de 90 o carnaval de Olinda era, de longe, mais animado do que o do Recife, este conhecido mais pelas suas prévias e blocos que atraíam o publico mais velho. Porém, com investimentos e um forte resgate cultural, o carnaval do Recife começou a competir em pé de igualdade com Olinda, atraindo, não só a velha guarda, mas jovens e famílias inteiras que antes evitavam a capital devido à violência.
Contudo, a animação de Olinda não estava livre desse problema: furtos e beijos forçados eram reclamações frequentes. Para ajudar na segurança, foram implementadas algumas leis e a fiscalização, reforçada. Também se tomaram medidas para evitar a descaracterização do evento: proibição do som elétrico nas casas e da execução de músicas que não fossem do carnaval pernambucano pelas orquestras. Mas recentemente, a prefeitura tenta coibir os foliões de fazer suas necessidades fisiológicas na rua.

Dinâmica

Bloco de maracatu.

São tantas as atrações, e tantas as alternativas, que fica difícil criar um roteiro de carnaval que sirva para todos (Clique aqui para saber maiores detalhes). Porém, a maioria dos foliões segue sempre a filosofia de curtir o dia em Olinda e a noite em Recife, com exceção para o sábado, quando uma multidão acompanha o desfile do Galo da Madrugada. Alguns nem tem pique para curtir a noite e, por vezes, tiram à tarde para descansar e poder aguentar a maratona.
Em Olinda você pode brincar nas centenas de blocos que saem de todos os cantos, o dia todo e, vale lembrar, totalmente gratuitos. No início da manhã, blocos infantis tomam conta das ladeiras, geralmente versões kid de blocos já consagrados. É uma grande oportunidade para as famílias com crianças pequenas se divertirem.
Crianças também brincam o carnaval.

Aproveite esse período para andar pelas ruas e conhecer os principais pontos históricos, como a Ribeira, o Alto da Sé, a Prefeitura, os Quatro Cantos (cruzamento das ruas do Amparo, Prudente de Morais, Bernardo Vieira de Melo e Ladeira da Misericórdia). São nesses pontos que passam os principais blocos. Nos Quatro Cantos, passe no centro de informações turísticas e pegue a programação do carnaval. A partir das 10h a cidade começa a se encher e fica difícil de andar. Nessa hora é melhor procurar um lugar para ficar parado ou um ponto de referência, caso seu grupo de amigos se separe.
O Largo do Bomfim é, tradicionalmente, o ponto de encontro dos mais jovens e solteiros afim de uma paquera. Famílias e pessoas que procuram um lugar mais aberto se encontram na Praça do Carmo, onde a prefeitura disponibiliza banheiros, fraldários e até pontos de apoio para deficientes físicos. O público GLS tem a Rua 13 de Maio como seu ponto de encontro.
Chegando ao Recife, comece o passeio pela Central do Carnaval, que funciona apenas no período momesco, na Praça do Marco Zero, palco dos grandes shows de carnaval. A Central tem lojas, banheiros e restaurantes com preços bem salgados, mas que compensam, pela segurança alimentar. Siga o passeio pelas ruas da Moeda, do Bom Jesus e pela Praça do Arsenal, para sentir o clima da cidade. Nesta última, existe um ponto de informações turísticas. Pegue a programação dos blocos e festas da capital e monte o roteiro de sua folia.
O Recife durante o dia é mais tranquilo, logo, é mais indicado para famílias, idosos e deficientes físicos. No Shopping Paço Alfândega, localizado na Rua da Madre de Deus, existem diversas atividades voltada para crianças.

Alimentação

Em Olinda, existem barraquinhas de espetinhos, cachorros quentes e pasteis espalhados pelas ladeiras e que já foram responsáveis por três crises intestinais de um de nós. Se não quiser arriscar, a Praça do Carmo é um ótimo lugar para comer. Muitos bons restaurantes instalam quiosques nesse trecho e servem comida de boa qualidade.
Para experimentar uma comida boa e bem regional, procure pela Casa de Noca (Rua das Bertiogas, 243 - acesso pela travessa do Bonfim vindo da Rua do Bonfim). O cardápio é simples: macaxeira com carne de sol e queijo coalho. De acordo com a propaganda na porta, é a melhor do mundo. Nós concordamos.
Outra parada obrigatória é a Bodega de Veio (Rua do Amparo, 212), para tomar uma cervejinha gelada acompanhada de um pratinho de frios fatiados na hora. Quer mais energia? Suba para provar uma das famosas tapiocas do Alto da Sé que, diferente das barraquinhas de churrasco, não trazem risco nenhum para o estômago.


Cansaço e fome são curados na Bodega de Veio.

Para bolsos bem folgados, Oficina do Sabor e Beijupirá são os restaurantes certos. A Oficina do Sabor (Rua do Amparo, 335) foi eleita em 2011 como o melhor restaurante de comida brasileira do Brasil. O destaque do cardápio montado pelo premiado chef César Santos são as morangas. Peça a Moranga de camarão! Já no Beijupirá (Rua Saldanha Marinho, S/N), a chefe Adriana Didier aposta no preparo do peixe que dá nome ao restaurante com molhos de frutas. Indicamos o Beijumanga e o Beijupitanga.
Já no Recife existe uma grande oferta de restaurantes menores e mesmo barracas de rua que não trazem tanto medo como as de Olinda. Existem vários na Rua da Moeda, na Rua do Bom Jesus, e aqueles da Central do Carnaval, de que já falamos.

Hospedagem e descolamento

Existem diversas pousadas entre Recife e Olinda, algumas bem no foco da folia. Para essas, recomendamos fazer a reserva com bastante antecipação (no máximo, até setembro). Se preferir ficar em alguma mais afastada, o sistema de transporte é reforçado e não será difícil encontrar ônibus com indicações dos pontos de folia. A oferta de táxi também aumenta e dá até para encontrar gente para dividir a corrida.
Se estiver de carro, opte pelos shoppings centers. Eles fazem parcerias com as prefeituras e, deixando o carro no estacionamento, você pega um ônibus gratuito (ou por um valor bem em conta) que sai a cada 20min e te leva direto para os pontos de animação. O Shopping Tacaruna é o mais indicado para quem vai a Olinda dada a proximidade. Para o Recife, você pode deixar seu carro em qualquer um dos demais, com exceção do Shopping Paço Alfândega, que já está na área onde acontece o carnaval e o tráfego de veículos é bloqueado.
Além dos hotéis, as casas alugadas também são uma ótima opção. Os moradores se mudam para casa de parentes, garantindo uma renda extra. Muita gente se junta para dividir casas no período de carnaval. Existem grupos já consolidados que se organizam pela própria diversão, mas outros fazem de forma profissional, contratando arrumadeiras e garçons. As mais profissionais também tem a opção do Day Use, recomendado para quem for passar apenas um dia e quiser garantir que não vai ser preso fazendo xixi no patrimônio público.
Você pode reservar um leito na casa de algum desses grupos, fazendo contato pela internet ou através de conhecidos. Lembre-se que o "leito" oferecido para esses casos é um espaço no chão, ou seja, leve seu colchonete e um ventilador. O custo médio é de 300 a 400 reais pelo período que vai da sexta à tarde até a quarta à tarde. Algumas dão direito a refeições e bebida.
Em casas alugadas, cada canto vira leito.

Como se vestir

O importante é se fantasiar.

Fantasiado. Essa é a lei máxima. E não precisa ser nenhuma fantasia elaborada de halloween. É até recomendável que não seja uma fantasia muito composta, devido ao calor. Ambulantes vendem todo tipo de fantasia na rua, desde chifrinhos do capeta até roupa de sultão. Mas também vale se enrolar na toalha de banho ou usar um vestido da sua mãe.
Apicultor? Porque não?
Por baixo disso tudo, um tênis confortável e uma bermuda ou short (de preferência, que facilite na hora de ir ao banheiro). Protetor solar e uma doleira para carregar o dinheiro são fundamentais. Lembre-se que o carnaval, apesar das melhorias, não se tornou 100% seguro. Fora o risco de o dinheiro cair do seu bolso no chão do banheiro químico quando você for fazer xixi... Eca! As recomendações com dinheiro e documentos valem para câmeras e celulares. Evite câmeras grandes, ou mesmo nem leve se não se sentir seguro.
E lembre-se de beber muita água. O calor somado à multidão já levaram muita gente para o hospital em Olinda. Não vale a pena pagar pra ver.

O calor derruba até o super-homem.
No próximo artigo, falaremos das festas que acontecem fora do carnaval oficial
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