domingo, 2 de fevereiro de 2014

Por que não gostei de Barcelona – Parte 01

Jayme explica seus motivos para não ter caído de amores pela capital Catalã
Vista da cidade, com o pôr-do-sol

Conhecer um lugar cheio de expectativas pode ser uma faca de dois gumes. Quando conheci Praga, por exemplo, conversas apontavam para a capital da República Checa como uma “Paris sem vícios e que esqueceu de crescer”, e me levaram a ver a cidade dessa forma. Nunca saberei se essa constatação foi pelo fato dela ser assim mesmo, de forma inquestionável, ou se minha mente foi levada a acreditar e ver a cidade do ponto de vista das recomendações que me deram.
Por outro lado, para Barcelona, as expectativas eram as melhores possíveis. Ouvi muito de uma cidade badalada, bonita, cheia de atrativos e exclusividades, pessoas sorridentes e de fácil trato. Se minha mente quis ver o contrario disso também nunca saberei. Nívia se apaixonou por Barcelona. Vive dizendo que moraria lá, mas eu não tive o mesmo sentimento.

Mais caro que o resto da Espanha

Você se serve dos pintxos que quer, vai comendo e guardando os palitos. No fim, o garçom conta os palitos e diz o quanto você deve.

De cara, os preços foram o principal item de comparação que fiz entre Barcelona e Madrid. Coisas que eu encontrava nas duas cidades estavam com preços maiores na primeira. Como Barcelona recebe mais turistas que a capital espanhola, imagino que esse seja o motivo.
Hospedamo-nos no Bairro Gótico, um dos pontos mais conhecidos da cidade. As ruas são de fato exóticas e conservam aos olhos do presente muito do que foi Barcelona no passado. Mas quando pensei que, como fiz em Madrid ou Valência, poderia beber e jogar conversa fora com os novos amigos na calçada do hostel, os funcionários impediram. Por lei, a farra, por menor que seja, deve-se resumir ao interior dos bares ou a caminhadas de bar em bar pela cidade, o que eles chamam de tapear. Parado na rua, não pode.
Até ai tudo bem, você pode juntar um grupo e ir conversar em algum lugar que oferece pintxos – comidinhas com palitos fincados – ou pagar pra participar de um Pubcraw oferecido pelo hostel. Mas isso, Valência e Madrid também possuem, ou seja, nenhum diferencial até então. As baladas também estão lá, mas depois de ter passado por Ibiza, não me pareceu grande coisa.

Suas igrejas

Nívia teve que ficar de fora da Catedral de Barcelona, devido aos "trajes inadequados"

Fugindo um pouco da parte profana da viagem, fomos conhecer as igrejas de Santa Maria del Mar e a Catedral de Barcelona, ambas em estilo gótico. São bonitas e grandiosas, mas não se destacam diante das outras da Europa. Mas cuidado, como em qualquer outra igreja, o acesso a elas não pode ser feito de short, bermuda ou trajes inadequados. Esse comparativo rápido com as demais igrejas da Europa tem uma grande exceção:  A Sagrada Família, do arquiteto António Gaudí.
Tanto a fachada quanto o interior da Sagrada Família são de tirar o fôlego

A fachada e o interior são de tirar o fôlego, e suas torres, que parecem mais um gigantesco castelo de areia, se destacam na paisagem da cidade. Mas, mesmo com tanta grandiosidade, você terá que voltar no futuro para revê-la, porque a construção está inacabada e a obra, cuidadosa e seguindo as orientações fieis do falecido arquiteto, se arrasta (e arrastará) por anos. Para ver a Sagrada Família, chegue cedo. A fila é tão grande quanto a igreja.

Falando em Gaudí...

Casa Batlló

Creio que as obras de Gaudí são o grande diferencial da cidade em relação ao resto da Espanha. Vale uma visita, mesmo que seja do tipo “passei na frente” na Casa Batlló e La Pedrera. Um deleite para quem trabalha com arquitetura e artes e cuja entrada é recomendada para os mais interessados. 
La pedrera
Ao contrário dos anteriores, o Parque Güell, do mesmo artista, não me encheu os olhos. O parque é longe do centro e tem poucas árvores altas, o que faz com que ele seja mais quente e seco do que a Catalunha já é.
A vista da cidade (até) compensa

No topo há uma bela vista da cidade de Barcelona, é verdade... mas, para chegar nela, você terá que subir muitas rampas e escadas (prepare os tênis e as panturrilhas). Mais abaixo, aqueles banquinhos coloridos que aparecem em cartões postais e filmes, como ‘Albergue Espanhol’ e ‘Vicky Cristina Barcelona’, circundam uma grande área de areia, e nada mais.
Quente, como a Catalunha
Descendo um pouco mais, você encontrará o lagarto símbolo da cidade, mas cuidado quando quiser montar no “bichano” pois existe um senhor idoso e mau humorado que cumpre bem, e em alto tom de voz, a função de fiscalizar os turistas fotogênicos mais ousados.
Senhorzinho funcionário da prefeitura pago para cuidar do lagarto do Parque Güell

Aproveitei para ler sobre a história de Gaudí em uma livraria e descobri que ele morreu atropelado por um bonde. Coitado, nem teve uma morte digna. Isso acabou sendo mais uma frustração para mim.

Cuidado com a culinária

Não se iludam, essa paella estava terrível
Um grande risco que o turista corre após suas andanças por Barcelona é da fome bater na hora certa, mas no lugar errado. Como em qualquer lugar do mundo, os restaurantes no entorno dos pontos turísticos são caros e, muitas vezes, tem comida de péssima qualidade. Caímos em um desses lugares que vendia paellas de todo tipo.
A comida de Nívia estava com aspecto e sabor ótimos, mas eu tive a “sorte” de comer uma paella que em nada parecia com a da foto do cardápio. Era uma mistura papada, desagradável e que parecia ter saído do freezer direto para o micro-ondas. Camarão, que é bom, passou longe. Tinha uns míseros pedacinhos de lula e polvo, e alguma coisa como um marisco dentro de uma concha. Impossível de comer. Tive que me contentar com uma pizza em uma lanchonete a duas quadras dali.

Veja também:

Por que não gostei de Barcelona – Parte 02
Valência: Uma cidade para se viver
Tarragona é boa surpresa para o viajante na Catalunha


Vídeos de viagem:








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José Jayme
engenheiro civil, travel-writer, nerd de carteirinha, amante da boa comida e esportes em geral. Colaborador do guia e portal O Viajante.
Comentário(s) pelo Facebook:

7 comentários:

  1. ahhh Acho que você deu azar. Mas mesmo o post falando mal, deu vontade de ir lá de novo ehehehehe

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  2. As diferenças da Vida.... Fiz uma viagem casada, Madrid seguida por Barcelona. Minha acompanhante morreu de amores por Madrid e eu curti pouco, não rolou. Mas Barcelona foi um encontro, os dias estavam perfeitos, a comida maravilhosa, muitas frutas, o Gótico, tudo! Mesmo sobre o que gostei em Madrid, nunca consegui escrever. Já Barcelona povou o blog. Agora, são cidades e povos completamente distintos. Darei uma segunda chance para Madrid, um dia.

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  3. Olá, tudo bem?
    Sou da editora Mol e gostaríamos do email de contato do blog/site
    para o envio de material de divulgação
    Meu email:Camila.pereira@editoramol.com.br
    Agradeço desde já

    Abraços,
    Camila

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  4. Realmente Barcelona é muito cara. Mas, vcs deram azar...Pelo que estou vendo vc comeu uma paella congelada. Tem que ficar de olho nos cartazes. Aqui se come muito bem e tem lugares com paella boa e barata. Fica para a próxima visita. Gostei dos posts de Barcelona. Cada um tem uma visão diferente do lugar aonde vai.

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  5. tb ñ gostei tanto assim de BCN, já minha esposa adorou! tanto foi o meu desprezo que nem passei a mão no lagarto, que dizem se toca-lo, vc retorna a cidade!
    as obras arquitetonicas são magnificas, o interior da sagrada familia é um espetaculo a parte, porem, continuo ñ amando c/ td esse frenesi!

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  6. Madrid e Barcelona na minha opinião sao cidades sem graça nao curti muito. Barcelona pareceu um pouco Tel Aviv a praia mas ainda assim Tel Aviv é bem melhor.

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  7. Madrid e Barcelona na minha opinião sao cidades sem graça nao curti muito. Barcelona pareceu um pouco Tel Aviv a praia mas ainda assim Tel Aviv é bem melhor.

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