terça-feira, 7 de agosto de 2012

A experiência San Fermin


San Fermin de 2012, Pamplona, Espanha.
No domingo, 6 de julho, produziu-se a explosão da fiesta. Não há outra maneira de expressá-lo.
Com essa frase, o personagem Jake introduz a festa de San Fermin no livro ‘O Sol Também se Levanta’, do escritor Ernest Hemingway. E foi a partir desse livro que se alavancou a fama mundial deste evento secular. 
Todos os anos, entre os dias 06 e 12 de julho, Pamplona, na região de Navarra, ao norte da Espanha, realiza as festividades de San Fermin. A festa, regada a muito vinho, seios a mostra e touros, é uma das maiores da Europa e atrai turistas do mundo inteiro. Porém, o que torna a festa realmente um sucesso são os encierros, ou corrida de touros, que falamos em um texto à parte (clique aqui para saber mais).
A seguir, algumas informações para quem quer conhecer a fiesta.

O que é preciso saber antes


As pessoas dormem onde podem. Esta mulher estava dormindo dentro de uma cabine telefônica, na estação de trem.

1 - Na cidade existe apenas um hostel da rede HI, cujas reservas se iniciam no começo do ano, e lotam dias depois. Se quiser se hospedar lá, seja rápido. Tem gente que resolve acampar ou até dormir ao relento pelas praças e áreas verdes da cidade, isso é bastante comum, mas não é seguro;

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2 - Pamplona fica em Navarra, no País Basco, região com ideais separatistas muito fortes. É recomendável evitar qualquer comentário ou alusão de que ali ainda seja a Espanha. Para você pode ser a mesma coisa, mas, para eles, não. Aceite: lá não é Espanha!;
3 - Em hipótese alguma pense em usar calçados abertos ou delicados, como chinelos, sandálias e sapatilhas. É comum ter garrafas quebradas pelo chão, apesar da policia tentar controlar o acesso delas. O risco de cortes é grande. Tênis ou botas precisam ser seus companheiros inseparáveis;
4 - A roupa branca é praticamente obrigatória. Leve uma para cada dia de festa que você for passar lá (no fim do dia, o destino delas é, invariavelmente, o lixo). Você também pode deixar para comprar lá, junto com a faja da cintura e o pañuello para ser colocado no pescoço, esses, sim, obrigatórios. Mas, atenção! O pañuello só deve ser amarrado ao pescoço depois do Chupinazo, que explicaremos logo a seguir. 

Lenços para cima que a festa vai começar!

Plaza de Consistorial, no final da manhã do dia 06, antes do Chupinazo.

No final da manhã do dia 06 de julho, a multidão se concentra na Plaza Consistorial, onde fica o Ayuntamiento (prefeitura), para ver o Chupinazo (rojão). O evento é a abertura oficial do festival. Ao meio-dia em ponto, o representante municipal convoca os pamploneses a dar um viva e um gora (‘viva’ em Euskera, idioma do País Basco) a San Fermin. Com os pañuellos para o alto, os gritos de 'Viva' são seguidos de foguetes e banhos de vinho. Só então podem-se amarrar os panos nos pescoços.
Os separatistas costumam tentar burlar a polícia espanhola e entrar na praça com a bandeira do País Basco. Se isso acontecer, mantenha a calma e tente não ser pisoteado ou morrer por asfixia. Se não quiser passar aperto, bem pertinho dali, na Plaza del Castillo, o Chupinazo é transmitido por telões. O ambiente é mais calmo, com famílias, crianças e idosos.

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Tudo é festa

Fuenting

Pelas ruas e praças, só se vê bebedeira, música e animação. Os bares lotam, as pessoas brincam, jogam vinhos umas nas outras. A pedidos da multidão, muita água é lançada das varandas pelos moradores. Artistas de rua aproveitam para mostrar suas habilidades e faturar algum trocado com suas performances. Muitos rapazes aproveitam a festa para fazer despedidas de solteiro. E as mulheres aproveitam para soltar a franga: desinibidas pelo vinho, mostram os seios sem qualquer pudor.
Uma das brincadeiras mais perigosas, e que a prefeitura e a polícia tentam coibir, é o fuenting. Bêbados corajosos escalam a Fonte de Navarreria e se jogam sobre os braços dos amigos, nem sempre tão amigos assim. Acidentes (com mortes) não são raros.
Durante o festival também ocorrem apresentações musicais nas praças e parques da cidade e as ruas ficam cheias de gente durante todo o dia. 

Mas onde fica a tradição? 


Um cabezudo. Atenção para a cara assustada das crianças!

Dentre as atividades tradicionais do evento, a procissão de San Fermin acontece no dia 07 de julho e é bastante disputada pelos devotos. Não conseguimos participar da procissão, mas acompanhamos pelos jornais e televisão. Bandinhas de música desfilam todos os dias, em várias partes da cidade. Junto com elas, gigantes e cabezudos, algo muito parecido com os bonecos gigantes de Olinda, passeiam amedrontando as crianças e causando risadas nos adultos.
Um evento que sempre gera grande expectativa e grande frustração é o Riau-Riau. Trata-se de um desfile com a principal banda da cidade, tocando a mesma música-tema durante todo o cortejo. Por questões políticas, alguns grupos tentam impedir a continuidade no Riau-Riau. Segurar a banda, a fim de que ela não conclua o trajeto acabou também se transformando em tradição. A brincadeira ficou tão séria que o evento foi abolido, há 15 anos. Em 2012, houve uma tentativa de retomá-lo. Infelizmente, um grupo usou de violência para boicotar o Riau-Riau. A polícia fez corpo mole e a banda se recolheu antes mesmo de o desfile começar.

Confusão na saída do Riau-Riau. Foto: Pedro Armestre

O que visitar?


Iglesia de San Fermin

Caminhar pelo trajeto do Encierro – Desde os Corrales até a Plaza de Toros, 800 metros de história. Atenção especial para a Plaza do Ayuntamiento.
Monumento al Encierro – Obra do artista plástico Rafael Huerta, representa uma corrida de touros.
Museu del Encierro - Com histórias e curiosidades sobre a corrida. Lá existe um simulador, onde os malucos vão treinar para correr no dia seguinte.
Iglesia de San Fermin – Apesar de não ser o padroeiro da cidade, San Fermin é o santo de maior devoção em Pamplona. Vale a pena visitar a igreja consagrada a ele, nem que seja pela estonteante vista da cidade que se tem de la
Plaza del Castillo – Um palco armado na praça recebe DJs, bandas e apresentações de dança. Os bares da praça põem mesas na calçada.
Lojas do Kukuxumusu – As personagens do Kukuxumusu ultrapassaram a fama da festa e, hoje, são marca registrada não só de San Fermin, como de toda a Espanha. Se der sorte, você conhecerá o simpático Mr. Testis, touro símbolo da loja.
Touradas – Se você quiser ir às polêmicas touradas, precisa comprar os ingressos com antecedência, pois eles esgotam rápido. Mas vá sabendo o que todo mundo já sabe: o touro morre no final. Nós não fomos. Mais leve é a chegada do encierro, que também acontece na Plaza de Toros. Bem mais barato do que as touradas, dá pra ver o fim da corrida e a soltura das vaquillas (touros jovens) entre os corredores, para o delírio dos espectadores. Evento divertido e sem a sanguinolência da tourada.

Monumento al Encierro, de Rafael Huerta

Vinho, vinho e mais vinho!

Multidão canta em frente ao Ayuntamiento.

Gigantes passeiam pela cidade assustando as crianças.

Só pra deixar o gostinho, uma foto do Encierro, mas isso é assunto pra outro post!

Conectados

Há aplicativos do festival para baixar em iPhones, iPads e smartphones, além de fanpage no Facebook e até contas no Twitter.

Sites

Blogs
Sanfermin.com – Administrado pelo pessoal do Kukuxumusu, tem o melhor conjunto de informações sobre a festa.
Girls run with the bulls – Para você se inspirar e correr o encierro, cinco blogueiras se juntaram, correram em 2012 e relataram aqui.

Páginas para curtir no Facebook

Twitter
@Sanferminlive – As melhores informações de San Fermin.
@Mistertestis – O simpático touro símbolo do Kukuxumusu.
@Sanferminstore – Loja pertencente ao Museo del Encierro.
@kukuxumusu – Twitter oficial da loja.
@girlsrunwbulls – Twitter do blog Girls Run With The Bulls. Elas prometem correr novamente em 2013.

Aplicativo
Sanfermin.com

Leia também:

A corrida de Touros de San Fermin
Valência
Ibiza
Tarragona
Barcelona
Restrições de embarques para passageiros alcoolizados na Europa


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José Jayme
engenheiro civil, travel-writer, nerd de carteirinha, amante da boa comida e esportes em geral. Colaborador do guia e portal O Viajante.
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