terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Os perigos de uma viagem para o viajante brasileiro

A cara de quem teve o chinelo levado em Ibiza, na Espanha.
Existe uma grande vantagem em ser um viajante brasileiro: nosso país é mais perigoso que a maioria dos nossos destinos. Por causa desse alerta constante, conseguimos nos precaver de situações que pessoas de lugares mais pacatos desconhecem. Então, se o fator medo tem um grande peso nas suas decisões de viagem, pode ficar tranquilo. A menos que vá a uma zona de guerra, ou a lugares muito miseráveis, você tira de letra os perigos do mundo. Você é brasileiro.

Pode até parecer exagero o que estamos falando, mas a esposa de um amigo nosso, que mora em Viena, é natural de Linz, terceira maior cidade da Áustria, e disse que em sua terra natal, a última morte por arma de fogo registrada aconteceu na II Guerra Mundial. Imagina! Um lugar assim não é perigoso para nós.
Mas apesar de pequeno, o risco existe. Não só de roubos, mas de furtos e até de perda de pertences. Também não dá para facilitar demais, né? Um amigo nosso rodou o mundo todo e foi ser assaltado na Dinamarca, justamente um dos países mais seguros do mundo. Se ele tivesse lido as dicas a seguir, a coisa poderia ter sido diferente...

Dinheiro e documentos

Ladrão sendo abordado por clientes após tentar furtar uma bolsa, em Buenos Aires. Aproveitou o descuido da turista.
Em nossas viagens, sempre andamos com todo o dinheiro dentro da doleira, ou seja, somos nosso próprio cofre. Compre uma que seja impermeável e junte todo o dinheiro dentro de um pequeno saco com fecho, do tipo ziplock. Mexa no dinheiro, se possível, só pela manhã, quando estiver se arrumando. Separe o valor que será usado naquele dia, divida entre os bolsos e guarde o restante de volta. Se a viagem for em casal, divida o dinheiro entre as duas doleiras. Pode parecer macabro, mas caso o destino suma com um dos dois, o outro tem como se manter.
Evite andar com todos os documentos e tenha sempre guardada uma cópia dos mesmos. O mesmo vale para os cartões de crédito. Leve sempre dois, para o caso de um falhar, e deixe o cartão reserva guardado em segurança. Se a viagem for para o exterior, não esqueça de ligar para a operadora ou para o banco para informar sobre a viagem e evitar que o mesmo seja bloqueado por suspeita de roubo.

Nas ruas

Policial acompanha ladrão algemado após abordar uma senhora em uma cafeteria.
Turista, em geral, é alvo fácil para bandido. O viajante não conhece o lugar e, mesmo o mais precavido, uma hora se distrai, deixando o momento oportuno para algum mal intencionado vir e levar sua carteira ou câmera fotográfica. Não há necessidade de ficar paranoico quando estiver viajando. Cuidados simples lhe deixam menos propenso a se tornar vítima dos meliantes.
Uma regra de ouro é colocar os pertences sempre à frente. Se estiver andando pela cidade carregando suas coisas em pequenas mochilas, pendure-as na sua frente, principalmente se parar para ver um artista de rua ou vitrine de loja. É nessa hora que o ladrão pode agir. Também não descuide nos restaurantes, pendurando a bolsa na cadeira. Deixe-a no seu pé, ou no banco do lado e sempre ao alcance da vista. O mesmo serve para a câmera. Se não estiver sendo usada, vai pro bolso da mochila.

Bolsas à frente para evitar surpresas.

Quem (não) são os meliantes?

Infelizmente bandido não tem rosto. Não andam vestidos como os irmãos metralha, não usam mascarazinha e nem tem aquela cara de mal, característica da ficção. Às vezes o rapaz bem vestido e sorridente ao seu lado ou o senhor simpático e conversador podem estar sondando se você traz algo de valor. Evite lugares ermos, principalmente à noite. Na dúvida, pergunte aos funcionários de bares e comércios por onde você parar se ali é perigoso. Os hotéis também podem lhe ajudar com informações do gênero.
Aqui vão alguns tipos comuns que você encontrará em áreas turísticas, e que nem sempre representam perigo:

Mendigos

Geralmente são inofensivos e, dependendo da cidade, eles são proibidos de “pedir” dinheiro. Simplesmente esticam a mão e esperam que alguém coloque algo. Não sei o porquê, mas os que têm cachorros tendem a ser mais simpáticos e até ajudam quando você tem dificuldade em comprar o bilhete do metrô. Não é nada oficial, apenas uma estatística da nossa experiência.

Os “Hello, my friend”

Esses não chegam a ser perigosos, mas são muito inconvenientes. Puxam assunto, amarram uma fitinha no seu braço (e cobram por ela depois) ou mesmo colocam milho para jogar aos pombos na sua mão (e também cobram por ele depois). Chegam com aparente simpatia, perguntando “Brasil? Pelé? Daniel Alves?”. Pode parecer indelicado, mas ignore-os. Se você for simpático, será pior. Eles vão ficar ainda mais insistentes para pedir dinheiro.

As meninas da associação

Elas chegam sem falar nada, com um papel para você assinar. Nele, diz que é um abaixo-assinado para a proteção de algum grupo minoritário, seja dos surdos, cegos ou refugiados de guerra. Depois que você assina descobre que tem que pagar algo como 20 euros por ter assinado. Elas cobram. São como a turma do “Hello, My friend” e devem ser evitadas da mesma maneira.

Se as abordagens forem além das citadas acima e você se sentir acuado de alguma forma, procure as autoridades, chame a polícia ou entre na primeira loja ou no primeiro taxi que encontrar. Mas se o assalto se consumar, a regra é a mesma do Brasil: ter calma e entregar tudo o que for pedido. Em caso de roubo de documentos, não deixe de ir ao consulado para tirar um visto de saída do país. E não perder o resto da viagem por causa de uma coisa tão corriqueira na sua terra.

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José Jayme
engenheiro civil, travel-writer, nerd de carteirinha, amante da boa comida e esportes em geral. Colaborador do guia e portal O Viajante.
Comentário(s) pelo Facebook:

4 comentários:

  1. Essa experiência que temos de Brasil é realmente valiosa e ainda assim, em minhas viagens, eu acabei vendo muita gente ser roubada de bobeira. Nunca aconteceu nada comigo, graças a Deus, mas sempre tive a mesma atenção, com meus pertences, que tenho no Brasil. Enfim, tomar cuidado nunca é demais. Parabéns pelo post e pela importante abordagem. Tenho certeza que muitos viajantes irão se beneficiar dessas dicas. Abraços.

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  2. Realmente interessante! Quando você fala que meliante não tem uma cara, me lembro das gangues de "pickpocket" em Paris, formadas por meninas do leste europeu! Todas bonitas, bem arrumadas e menores (por isso, ninguém conseguia prendê-las) Acho que isso rolou em 2013 ou 2012...

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  3. em buenos aires tá acontecendo c/ mais frequencia, a picaretagem dos taxistas, que levam o povo p/ cilada! fora as voltas que eles dão no turista!

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